sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mestres brilhantes


Alunos de Harvard disputando vagas de professor em escolas públicas? Esse é o feito de um bom programa americano

Camila Pereira
Gilberto Tadday
O GOOGLE QUE ESPERE Jenny Tsai recusou ótimas ofertas de trabalho: opção pela sala de aula
Para jovens como a americana Jenny Tsai, 23 anos, não faltam boas oportunidades de trabalho. Ao contrário. Há excesso delas. Aluna brilhante do curso de ciências sociais em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, ela recebeu três propostas de emprego antes mesmo da formatura, uma delas do Google. Recusou todas. Curiosamente, Jenny preferiu tornar-se professora de uma das piores escolas públicas de Nova York, onde vai enfrentar as condições mais adversas e ganhar menos. Chama ainda mais atenção saber que a moça faz parte de um grupo bem maior. Neste ano, outros 3 700 jovens, entre engenheiros, advogados e físicos formados em algumas das melhores universidades dos Estados Unidos, fizeram a mesma opção. Ao desprezarem convites de grandes empresas e aceitarem propostas de trabalho em escolas públicas de mau ensino, eles não estão motivados por idealismo juvenil. Também não lhes falta a ambição de avançar na vida profissional. A escolha pela sala de aula se deve, na verdade, a um programa que tem conseguido alavancar a carreira dos recém-formados, segundo mostra uma nova pesquisa publicada pela revista Business Week. Trata-se do Teach for America, que recruta e treina os melhores na faculdade para trabalhar em escolas. Ligado a uma fundação sem fins lucrativos, de mesmo nome, o programa aparece entre as vinte melhores portas de entrada para o mercado de trabalho americano, à frente de outras tradicionalmente mais cobiçadas pelos jovens, como Microsoft e Nasa.
A pesquisa merece atenção por lançar luz sobre uma iniciativa bem-sucedida numa área em que países como o Brasil só têm colecionado fracassos: atrair os profissionais mais talentosos para dar aulas – ainda que por apenas dois anos, tempo de duração do programa. Conseguiu-se tal feito com um conjunto eficiente de medidas. A mais relevante delas diz respeito à formação de uma rede entre o Teach for America e algumas das instituições nas quais os recém-formados mais ambicionam trabalhar, como o banco JP Morgan, a consultoria McKinsey e as universidades Harvard e Yale. Depois de uma temporada no comando de uma classe de crianças, os jovens costumam ser automaticamente recrutados por tais instituições. Não só ocupam boas vagas como também negociam contratos mais vantajosos, que incluem, nas empresas, a presença de um tutor no início da carreira e, nas universidades, bolsas de estudo, entre outras regalias.
Gilberto Tadday
"DAR AULAS É O MÁXIMO" Courtney não cogitava ser professora. Depois de uma temporada na escola, não quis mais sair
Todas essas instituições decidiram apostar no Teach for America por uma razão simples: elas estão atrás dos bons alunos que vão parar lá. O programa, afinal, só aceita inscrições dos melhores da turma e, ainda assim, apenas 15% dos candidatos sobrevivem à peneira. É justamente a seleção rigorosa, feita por gente bem treinada para rastrear e até para convencer os estudantes mais talentosos a aderir à sala de aula, que explica boa parte do seu sucesso em atrair alunos de Harvard, Yale ou Princeton. Diz Amy Black, uma das diretoras da fundação, espalhada por 29 cidades americanas: "Quem decide entrar para o programa sabe que ganhará um carimbo precioso no currículo e, mais tarde, será muito bem acolhido pelas empresas". A princípio desvantajosa do ponto de vista financeiro, uma vez que esses jovens recebem o mesmo salário que qualquer professor, a opção temporária pela docência acaba se revertendo em favor de quem segue o caminho da sala de aula.
É bem verdade que a maioria dos jovens permanece como professor apenas pelos dois anos previstos no programa, para então seguir outros rumos. Sua influência positiva sobre os estudantes nesse breve período, no entanto, já justifica a experiência – e faz refletir sobre a necessidade de contar com mais desses profissionais nas escolas. Um estudo americano recente mostra que, em relação a um docente de padrão mediano à frente da classe, tais professores conseguem melhorar em até três vezes o desempenho de um mau aluno. Isso mesmo sem nenhuma experiência prévia em sala de aula, tampouco um diploma na área de pedagogia. Engenheiros e advogados precisam apenas de algum treinamento para desempenhar bem a função. E fazem isso melhor do que os demais professores. Resume o físico alemão Andreas Schleicher, no comando das avaliações conduzidas pela OCDE (organização que reúne os países mais industrializados): "Estamos diante de uma prova de que atrair os melhores cérebros para as escolas é decisivo para a melhoria do ensino".
Pesquisas mostram que escolas no mundo todo falham nessa missão básica, a de recrutar profissionais de alto nível, basicamente por não fazer da sala de aula "um ambiente desafiador". Entenda-se por isso estabelecer e cobrar metas, distinguir os professores segundo sua capacidade de ajudar os alunos a avançar e lhes descortinar horizontes na carreira. O atual programa americano, que envia os novatos às escolas públicas, trata a todos como "CEOs do ensino". Eles passam a ter objetivos bem definidos e precisam se explicar (e melhorar) caso não atinjam o resultado esperado. Por tudo isso, cerca de 30% das pessoas que estão lá e jamais haviam cogitado virar professor decidem seguir na carreira. Foi o que ocorreu com a cientista política Courtney Dowd, 26 anos. Ela, que mirava a vida acadêmica em Harvard, "amou" a experiência de dar aulas e, com a ajuda do Teach for America, foi parar numa escola de formação de diretores de escola. Diz Courtney: "Recebi todos os incentivos para ambicionar uma carreira na área de educação". O Teach For America já foi copiado na Inglaterra e, em breve, chegará ao Chile e à Alemanha. No Brasil, onde 22% dos professores sequer pisaram numa universidade, algo parecido poderia contribuir para o necessário avanço da educação.

Foto Kevin Fleming/Corbis/Latinstock

http://veja.abril.com.br


 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Qual país tem a melhor educação do mundo?


Quem diz: O Índice de Desenvolvimento da Educação para Todos, da Unesco, em 2001.
Como avalia: O índice mede as condições gerais de acesso ao ensino usando 4 critérios: porcentagem de crianças na educação primária, grau de alfabetização de adultos, taxa de permanência até a 5ª série e igualdade de desempenho escolar entre meninos e meninas.
Dever de casa: A Noruega investe 6,4% do PIB em educação (o Brasil, por exemplo, investe 4,3%). Até a faculdade, o estudante tem direito a ensino gratuito adaptado a suas capacidades e aptidões. Em 1976, a Noruega foi pioneira ao incluir na Constituição o direito de todos os adultos à educação e, atualmente, dispõe de mais de 20 instituições de ensino específicas para os mais velhos.
Nº de países avaliados: 127
Posição do Brasil: 72o
Para saber mais: http://www.efareport.unesco.org


Quem diz: A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma entidade que visa ajudar seus países membros a manter boas políticas públicas em áreas como economia e educação.
Como avalia: O exame trienal, aplicado em jovens de 15 anos, avalia matemática, ciências, capacidade de leitura e solução de problemas – ferramentas fundamentais para o estudante adquirir conhecimento e trabalhar com várias disciplinas simultaneamente.
Dever de casa: A Finlândia tem menos notas ruins e maior equilíbrio entre melhores e piores estudantes. Jari Rajanen, do Ministério da Educação, diz que a educação básica gratuita, o contato estreito entre escolas e famílias e os professores altamente qualificados são o motivo do desempenho.
Nº de países avaliados: 41
Posição do Brasil: 38o
Para saber mais: http://www.pisa.oecd.org


Quem diz: O Estudo Internacional de Matemática e Ciência, feito pela Associação Internacional de Avaliação de Rendimento Educacional, uma entidade com base na Holanda.
Como avalia: A cada 4 anos, alunos de 4ª e 8ª séries fazem provas de matemática e ciências. O ensino dessas 2 disciplinas não varia muito entre nações – ao contrário do de história, geografia e línguas – e facilita a comparação.
Dever de casa: De acordo com o Ministério da Educação de Cingapura, o bom desempenho dos alunos é resultado da motivação – 75% deles "curtem" estudar matemática e ciências. Além disso, Cingapura tem o maior índice de recursos educacionais disponíveis, tanto na escola como nos lares. Cerca de 90% dos alunos têm computador em casa (contra 60% da média dos outros países).

Nº de países avaliados: 53
Posição do Brasil: Não participou

Para saber mais: http://timss.bc.edu/

 Fonte: http://super.abril.com.br

Factos sobre a educação no mundo


Todos e todas merecem uma educação de qualidade…no entanto actualmente cerca de 75 milhões de crianças e 774 milhões de adultos não têm acesso a esse direito.

São sobretudo os mais pobres que são excluídos da educação e aqueles que mais têm a ganhar se tiverem a oportunidade de estudar.
A educação é fundamental para combater a pobreza. Quando a educação está acessível a toda a população as economias desenvolvem-se mais rápido e a pobreza diminui. Quem tem a oportunidade de estudar tem também mais probabilidades de conseguir trabalho e um salário que lhe permite sustentar a família e romper o ciclo de pobreza.
  • Por cada ano de frequência do ensino primário estima-se que corresponderá a um aumento potencial de 5-15% no salário recebido mais tarde pelos rapazes e ainda mais no caso das raparigas;
  • Por cada ano adicional de frequência do ensino secundário, o aumento potencial de salário chega aos 15-25%;
  • Nenhum país conseguiu até agora um crescimento rápido e contínuo sem ter primeiro 40% da sua população alfabetizada.
A Educação é fundamental para melhorar a saúde, na prevenção de doenças pandémicas e mortais como o VIH/SIDA e a Malária, na promoção de cuidados de higiene pública e pessoal, e na capacitação das famílias para lidarem com a doença.
  • Sete milhões de casos de VIH/Sida poderiam ser evitados na próxima década se todas as crianças recebessem educação;
  • Uma criança que tenha uma mãe alfabetizada tem 50% mais de probabilidades de sobreviver para além dos 5 anos de idade.
A Educação é um direito humano. Os direitos humanos são inerentes, todas as pessoas nascem com os mesmos direitos que lhes pertencem durante toda a vida. Estes direitos estabelecem condições básicas sem as quais o ser humano não pode viver com dignidade.
A maioria das pessoas que não têm acesso à educação vive nos países mais pobres do mundo.

Existem pessoas que não podem estudar simplesmente porque não têm meios económicos para frequentar uma escola – não podem pagar as propinas, os uniformes ou os materiais escolares.


Muitas crianças não vão à escola porque têm de trabalhar para suportar as suas famílias, ou ficam em casa a tomar conta das tarefas domésticas ou a cuidar de membros da família mais novos ou doentes.
Grande parte das crianças que não vão à escola vive em zonas rurais onde os acessos para a escola são difíceis ou estas são inexistentes, ou vivem em zonas em conflito onde são forçadas a deslocarem-se e refugiarem-se para a sua segurança e sobrevivência.
Na maioria dos países, as raparigas e mulheres continuam a ser as últimas a ter oportunidade de aprender – frequentamente, os rapazes são favorecidos quando as famílias não têm possibilidade de enviar todos os seus filhos para a escola, e em algumas partes do mundo não é aceite que uma rapariga frequente a escola.
  • Um terço de todas as crianças que não vai à escola são portadoras de deficiência
  • 60% de todas as crianças que não vão à escola são raparigas
  • Perto de 250 milhões de crianças têm de trabalhar para ajudar a sua família
  • Metade das crianças que não vão à escola no mundo vive em comunidades onde a língua usada na escola é diferente da língua que falam em casa
Quando as crianças conseguem ir para a escola, muitas vezes deparam-se com outras dificuldades, como aulas sobrelotadas e falta de professores. Sem incentivos para permanecerem na escola e aprenderem, muitas crianças acabam por desistir. Na África-Subsariana uma em cada três crianças que começa a estudar não chega a completar o ensino primário completo, muito menos continuar até ao ensino secundário.
  • São necessários mais 18 milhões de professores em todo o mundo até 2015 para se atingir o ensino primário universal até essa data.
 fonte: http://www.educacaoparatodos.org

Envolva-se — É importante!

Patrícia Queiroz *
Envolver-se na educação dos filhos ajuda-os a melhorar o desempenho escolar e a qualidade da escola. Assim, procure o momento exato para participar e fazer a diferença. Eis algumas sugestões sobre como começar:
1. Leve seus filhos à escola logo no primeiro dia de aula.
2. Deixe-os saber que a escola tem muita importância, fazendo perguntas sobre os trabalhos escolares que precisam ser feitos em casa e designando um espaço próprio para eles estudarem.
3. Leia tudo o que a escola envia para sua casa, como relatórios de notas, trabalhos de casa, planos sobre o almoço escolar, horários e programas de férias. Transmita a seus filhos a idéia de que você está bem informado(a).
4. Conheça os professores de seus filhos e o diretor da escola e assista às reuniões e conferências de pais e professores.
5. Peça cópias dos documentos da escola (com relação a freqüência e disciplina, por exemplo) e, se tem dúvidas ou não tem alguma informação, pergunte.
6. Ofereça-se para ajudar nas atividades da escola, assista às atividades esportivas, colabore na arrecadação de fundos e coloque-se à disposição para trabalhar, voluntariamente, na secretaria da escola.
7. Visite a classe dos seus filhos mesmo quando estiverem em aula, e não apenas quando houver conferência de pais e professores. Combine a visita, antecipadamente, com a secretaria e com os professores.
8. Fale com outros pais. Se houver alguma associação deles, junte-se a ela. E, se não existir, tente organizar uma. Para isso, procurar dois ou três pais interessados já é um bom começo.
9. Encoraje seus filhos a ler em casa. Visite com eles as bibliotecas locais, móveis e das escolas, feiras de livros e, junto com eles, empreste obras para ler.
10. Envolver-se na educação é também importante para adultos que têm crianças ao seu cuidado, como padrastos e avós.
11. Convide padrastos, avós e outros adultos responsáveis por alguma criança a participar das atividades escolares.
12. Sua ação, e não apenas suas palavras, pode causar impressões tão boas que durarão uma vida inteira.
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*Patrícia Queiroz é mãe do aluno Matheus Henrique (Maternal III B